27 de abril de 2010

Amar é...


Um dos grandes sucessos dos anos 80 voltou há alguns anos atrás. Desde o dia 15 de agosto de 2005 que os "peladinhos" da série Amar é... retornaram às bancas em um novo álbum de figurinhas que marcou a entrada da Editora Emporium de Idéias no segmento. As figurinhas ganharam novo tratamento e as situações mostradas são mais modernas.

Conhecer a pessoa dos sonhos pode ser prejudicial à saúde, pois causa frio na barriga, tremedeira nas pernas e, muitas vezes, um incompreensível ataque de criatividade. Tomados pelos sintomas, os enamorados se tornam imediatamente poetas discutíveis ou cantores de gosto duvidoso. Um desses surtos de talento promovidos pela ''paixonite aguda'' rendeu Amar é..., álbum de figurinhas que conquistou gerações e acabou ganhando nova versão com desenhos inéditos. Os americanos Robert e Kim Casali estavam no auge de seu amor quando criaram o casal de peladinhos. Eles começaram a despejar suas mensagens açucaradas no jornal Los Angeles Times, na década de 70, e logo se tornaram uma febre mundial. Amar é... chegou ao Brasil, e por volta de 1982 se tornou item obrigatório para a felicidade de qualquer menina.



Atualmente, quem desenha os eternos enamorados é o filho do casal, Stefano Casali. Afinal, amar também é... fazer filhos e os inspirá-los.




Fonte: Folha Online





















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Amar é... em horóscopo



22 de abril de 2010

Casamento?


O singelo ritual da cerimônia de casamento há muito ficou para trás. O altar delicadamente decorado, a música clássica, as velas, o romantismo, tudo perdeu espaço para o grande evento, o entra e sai dos fotógrafos, os flashes exagerados, os muitos watts de luz das filmagens na sua cara – te impedindo de enxergar a cerimônia e te constrangendo. Essa equipe toda, muitas vezes mal vestida e alheia ao motivo maior do acontecimento, quase faz os convidados acreditarem que estão atrapalhando o momento, sendo que eles são parte importante do ritual. Mulheres e homens de ternos coordenam o movimento por meio de celulares. Cronometram o tempo. Organizam o ambiente ricamente decorado. Tropeçam nos fios. O repertório musical parece a trilha sonora de um filme. O exagero nas cerimônias de casamento levou a Igreja Católica a repensar as celebrações. A “espetacularização” do ritual vinha preocupando. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está realizando uma consulta nacional às dioceses para verificar como andam a preparação e celebração dos casamentos no Brasil. “O mistério do sacramento não pode ser banalizado. Em algumas situações, há até uma descaracterização da igreja”, analisa o padre Gustavo Haas, assessor da comissão de liturgia da CNBB. Na opinião do padre, os noivos não podem valorizar apenas a ostentação: “O rito do casamento é simples, modesto. Estamos pensando seriamente em mudanças. Mas para o bem dos noivos”, ressalta Haas.

Eu concordo! É preciso que a igreja imponha algumas restrições. A empresária Ana Lúcia Oliveira, dona de uma empresa de cerimonial, concorda que em alguns casos há abuso. Ela soube de um casal que deixou o altar ao som do hino do time de coração do noivo. “Isso assusta. É um exagero. As pessoas começaram a inventar.”

É claro que os noivos querem registrar o momento e querem que ele seja o mais especial possível. Mas é preciso repensar a maneira de se fazer isso. Que tal ter apenas uma pessoa filmando, bem vestida e discreta, posicionada em um local estratégico e pré determinado da igreja? Que tal fotografias só na entrada e na saída, ou, no máximo, na hora da troca das alianças? Ou ainda, se houver recepção, este sim é o lugar apropriado para os muitos flashes e descontração.

O casamento na igreja foi reduzido a um mero espetáculo, onde nem os padres escapam da coreografia. É horrível de se ver a futilidade e a vaidade presente numa cerimônia que deveria ser repleta de espiritualidade. Talvez isso explique, em parte, a facilidade com que se faz e desfaz um.

Há que se resguardar o momento religioso, momento de consagração de duas pessoas, de promessas que deverão ser lembradas e guardadas todo dia e para sempre, e não simplesmente arquivadas numa fita magnética na última gaveta do armário menos acessível. As lembranças da cerimônia, antes de mais nada, devem ser guardadas nas mentes e nos corações. A cerimônia de casamento deve ser singela, bonita e espiritual. “O essencial é invisível aos olhos”, já dizia o Principezinho. E ele estava certíssimo!


21 de março de 2010

Senna, 50 anos: 16 de saudades


50 anos de um ídolo inesquecível. O nome dele é igual ao de milhares de brasileiros, mas algo lhe tornou especial: acreditar que derrotas podem se transformar em grandes vitórias em pouco tempo.

Ayrton Senna da Silva, ou melhor, Ayrton Senna do Brasil completaria neste domingo, dia 21 de março, seu quinquagésimo ano de vida e, mais que isto, 16 anos de uma lacuna ainda insubstituível na Fórmula 1 em vários aspectos.

Com respeito ao adversário e muitas vezes na sua razão, Senna preferia deixar o senso crítico de lado e mostrar sua superioridade dentro da pista, levando sua nacionalidade a inúmeras vitórias, voltas rápidas, poles e títulos, que resultavam em emocionantes comemorações.

Desde daquele 1° de maio de 1994 os domingos não voltaram a ser como eram antes, quando o Brasil parava para ver seu ídolo fazer os autódromos tremerem de tanta garra e vontade de vencer. Ousadia, respeito, ética, compromisso e paixão tornaram Senna um espelho para as próximas gerações.

Muitas dúvidas a respeito daquele acidente fatídico em San Marino ainda correm em vão: será que o coeficiente de segurança da barra de direção foi deixado de lado em busca da velocidade? Que horas e onde realmente Senna faleceu? Ou simplesmente, na mais legitima interpretação, Deus chamou Senna para dar exemplo lá em cima?

Ficam as perguntas, mas também as fantásticas respostas do tricampeão para incrementarmos e vencermos os obstáculos – seja qual for a situação. Senna deixa o ensinamento do quanto é importante viver cada dia como se fosse o último. Não esperando sempre a morte, mas sabendo que ela, sem dúvida, chegará.

Por isso, sobre a morte, Senna nunca mudou seu pensamento:

"O dia que chegar, chegou. Pode ser hoje ou daqui a 50 anos. A única coisa certa é que ela vai chegar."


(Luan Campos)

MINHA HOMENAGEM AO ÚNICO ÍDOLO QUE TIVE NA VIDA.
COLECIONEI REPORTAGENS E FOTOS DELE POR MUITO TEMPO...
PARA VÊ-LO CORRENDO EU NÃO ME IMPORTAVA EM LEVANTAR CEDO AOS DOMINGOS, OU DE MADRUGADA PARA VER OS TREINOS E CORRIDAS DO JAPÃO...
ASSISTÍ-LO CORRENDO ERA SEMPRE UMA EMOÇÃO FANTÁSTICA! NUNCA MAIS VIMOS ISSO NA F1, E TÃO CEDO VEREMOS, PORQUE PESSOAS COMO ELE SÃO MEIO SURREAIS, ESPECIAIS, E NÃO APARECEM NO MUNDO TODA HORA...
PARABÉNS PELA PESSOA E PELO PROFISSIONAL QUE VOCÊ FOI, AYRTON!  

21 de janeiro de 2010

Ano Novo



Há quem diga que o 1º de janeiro é só mais um dia depois de outro, como todos são. Há quem não veja especialidade nenhuma no primeiro dia do ano. Há quem não se empolgue com a expectativa do novo, com a crença de dias melhores, com o fato de existirem dias em branco para serem preenchidos.

Não concordo com essa falta de entusiasmo.

Não há outra data em que as pessoas tanto se desdobram para felicitar, desejar sucesso, participar de confraternizações, viajar longas distâncias para estar perto de quem se gosta. Data de boas e generosas mentalizações. Mensagens confortadoras no celular. Notícias de quem está longe. Fogos no céu, retribuindo às estrelas um pouco do brilho que elas nos dão o ano inteiro.

Em nenhum outro tempo se recebe tantos abraços calorosos, tantas declarações de carinho com promessas de “vamos nos ver mais no próximo ano”. A boa vontade se espalha pelo mundo, quando, junto com o Natal, podemos compreender o amor de Deus por nós, e assim, desejarmos um novo ano repleto de propósitos felizes no caminho do bem, do amor, da paz e da fraternidade. Não há outra época em que as pessoas se permitem tanta doação. E tanto pensamento positivo assim, de tanta gente e ao mesmo tempo, só nos pode fazer bem. Por isso eu valorizo muito o primeiro dia do ano, e acredito com toda a fé que ele é diferente de todos os outros dias.

O ano novo é um rito de passagem que lhe diz: “ei, algo novo pode acontecer!”

E cabe a você acreditar e correr atrás desse novo, dos seus sonhos. Acima de tudo, é tempo de desejar amor para as pessoas.

E é isso que eu desejo a você nesse novo ano: amor! Amor para te fortalecer, curar dores, aconchegar, sustentar, enfraquecer medos. Amor como forma de crescimento. Amor para você ser feliz em 2010!


20 de novembro de 2009

Carta para o Papai Noel



Querido Papai Noel,


Há quanto tempo não nos falamos! Muitos anos já se foram desde a última vez em que eu escrevi cartinha para o senhor. Muitas primaveras se passaram desde que eu deixei de ser criança, e que precisava me comportar durante o ano para poder ganhar o presente solicitado. O mundo muito evoluiu, muitas coisas boas aconteceram, e muitas coisas ruins também. E o senhor? Continua entregando presentes com o seu bom e velho trenó, puxado pelas renas?? Ou já comprou um jatinho? Continua recebendo as cartas escritas à mão, ou já tem endereço eletrônico? Nossa, será que o senhor não vai receber essa minha carta???? Depois de mais de duas décadas me pego escrevendo uma carta de próprio punho, e agora nem sei se ela vai chegar ao seu destino...


Não sei se é porque eu cresci, e vejo o mundo diferente, mas sinto que hoje em dia menos crianças acreditam que irão receber os presentes que você entrega. Deve ser porque no mundo de hoje tudo é muito moderno, mas a essência foi se perdendo. Na minha época tudo tinha mais sentido, havia mais ingenuidade, mais simplicidade, mais amor. As crianças daquela época confundiam a realidade com a fantasia, e acreditavam que na noite de Natal receberiam todos os presentes que tinham lhe pedido. E era muito bom ver o nosso desejo ser atendido!


Mas um dia a gente cresce e aprende que nem sempre se recebe tudo que se espera, e que quem muito quer nada ganha.
Independente disso, eu jamais te esqueci e nunca deixei de acreditar no senhor, ou no que a sua figura representa. De uma forma ou de outra, é a ilusão que nos move. Sem ilusões, sem acreditar em algo melhor, algo bom, a gente não tem motivos para caminhar. É como tentar alcançar o horizonte. O senhor já tentou alcançar o horizonte? Se já, percebeu que a gente nunca consegue. Andamos um passo, e o horizonte se afasta um passo de nós. Andamos dez passos, e ele se afasta dez passos também. Depois de certo tempo eu entendi que é para isso que o horizonte serve: para nos fazer caminhar...


As ilusões e a ingenuidade da época de criança nos tornam pessoas melhores, mais certas de que a vida vale à pena. Durante anos da minha vida o senhor me trouxe muita felicidade, e aquela experiência de vivenciar momentos natalinos “ao seu lado” faz hoje com que eu acredite que é imprescindível transmitir valores como esses ao meu sobrinho e às outras crianças. E eu sinto que isso pode fazer de mim, e delas, pessoas mais felizes.


Já passei da idade de pedir bicicleta – lembra, Papai Noel: “não esqueça a minha Caloi!” – vídeo game, computador, bola ou boneca. Fico reparando nos programas de TV e nos filmes, em como tudo sempre acaba com um final feliz. É tudo sempre muito alegre e muito perfeito em seus finais. Então eu fiquei pensando se o senhor poderia me dar um milagre: um final feliz para todos os meus momentos. Eu estaria pedindo muito ou sendo egoísta? Poxa, eu me comportei bem durante o ano inteirinho!!!! Ok, Papai Noel, ok... Eu entendo que seria pedir demais. Então eu peço que o senhor continue a entregar presentes por todo o mundo, às crianças, a quem tem coração de criança e, sobretudo, aos duros de coração! Junto com os presentes, entregue um pouco do espírito de solidariedade, uma pitada de esperança, e entregue principalmente a fé, para que as pessoas vivam plenamente o verdadeiro sentido do Natal, simbolizado pelo menino Jesus, Nossa Senhora e São José, Belém e a estrebaria, a estrela, os anjos, os pastores e os Reis Magos. Entregue, enfim, a consciência do verdadeiro sentido do Natal: celebrar Jesus Cristo, que veio a esse mundo para nos salvar e nos redimir. Claro, para quem acredita, aceita e concorda. De toda forma, entregando todas essas coisas, o senhor vai acabar por me proporcionar o final feliz que pedi algumas linhas aí em cima...


Um beijo nessa sua barba branca, Papai Noel!
Obrigada, e até ano que vem!!


Juliana.

P.S.: Ia te pedir mais uma coisinha... um namorado, mas desisti! Ia te dar muito trabalho, tadinho!!! Deixa que isso eu resolvo sozinha, tá? Só vou pedir uma ajudinha ao outro Papai... o do Céu! Rs...

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19 de novembro de 2009

Semelhança entre máquinas e amor



Acreditei recentemente que uma conspiração tecnológica estava a me assombrar. Pifou tanta coisa de uma só vez, foi tamanho o piti coletivo das minhas máquinas que levei a sério o que disse a 21: a tecnologia é a ruína da sociedade. E arruinados estamos nós, mortais, cada vez mais dependentes dela.


Você sabe que a máquina – qualquer uma delas - há de estragar um dia, mas, inexplicavelmente, você confia dados, relatórios, monografias, nomes e telefones, projetos de vida e textos únicos, escritos em momentos de inspiração da madrugada, àquela memória impalpável que um dia pode simplesmente ter uma pane e acusar: empty. Você sabe, mas mesmo assim compra, grava, usa, porque você é vencido pelas facilidades da vida moderna.


Assim é mesmo com o amor. Você sabe, ah, sabe, que um dia o relacionamento vai estragar e pode não demorar muito para você se encontrar com os olhos vermelhos diante de um bolo de fotos. Mesmo assim, tendo ciência de que o amor terá um fim, que a chama da vela não inflamará eternamente, você se deixa envolver. Quem há de negar a possibilidade de sentir o coração na boca com uma tímida cruzada de olhares? De ser surpreendido na cozinha, sendo puxado para dançar um tango, no meio das panelas no fogo? De ouvir eu te amo numa tarde qualquer de mormaço?


Um dia o amor, como disse Paulo Mendes Campos, acaba. É típico do amor acabar. Mas você insiste. Pela boa pessoa que o outro é, e que você é, você resolve dar mais uma chance. Tem conserto. Precisa apenas de uma formatação. Passaremos por cima.


Mas não. Depois que uma máquina quebra, ela jamais há de ser a mesma. Seja pela técnica que não dá conta (as máquinas são imprevisíveis e geniosas), seja pelo medo de quebrar de novo. Depois que volta do conserto você fica com medo de usar, de ligar, vai que dá pau de novo? Dá pra confiar? E você se vê com o aparelho lá, encostado num canto. Uma relação apática como a de um casal assistindo à televisão depois de um dia de trabalho árduo. Foi-se os tempos em que as mães exibiam os eletrodomésticos presentes de casamento. Hoje tudo é descartável.


Nas máquinas ou no amor, não confie na garantia. Muitas vezes não há argumento. Não há nada que podemos fazer, meu senhor. A escolha foi sua, você sabia, todas podem estragar. Confiar é estar sujeito a tudo. Às intempéries climáticas, ao desgaste do tempo. As máquinas, se pudessem, pediriam garantia por terem sido trocadas por uma outra aparelhagem mais moderna. Pediriam para serem devolvidas às fábricas, que lhe tirassem todas as peças. Melhor isso que observar o dono se divertindo com a outra, a recém-chegada. Mas não há o que podemos fazer, prezado. Assim é mesmo com o amor. Apaixonar-se é estar sujeito à possível ação do tempo, ou à presença de um outro.


Mas por que ser tão pessimista? A tecnologia também facilita os relacionamentos! As possibilidades de contato são ampliadas, as fronteiras não existem. E o reverso da medalha é que quanto mais envolvido, mais dependente você estará quando a máquina quebra. Mais angustiante se torna a espera de não saber o que acontece com o mundo e com aqueles entrelaçados nas suas redes. E, como são várias as possibilidades de se manter contato, várias são as possibilidades de ser ignorado. Ao final, você se sente como el coronel de Marquez, que no tiene quién le escriba.


Há pessoas que resistem à dependência das máquinas. À rapidez, à fluidez, à superficialidade das tecnologias. E há pessoas que resistem ao amor. Ao receio do começo e à consequente melancolia do inevitável fim. Estranha civilização essa de máquinas descartáveis e amores apressados. Melhor seria um tempo de amor sem pressa, que aguarda em silêncio. Sem se afobar.
 
(Tatiana Lazzarotto)

22 de outubro de 2009

Dia de Chuva



Acordar de madrugada e ouvir a chuva caindo lá fora. Que sensação mais deliciosa aquele barulhinho dos pingos se encontrando com o asfalto, com as folhas das árvores, e até daquela goteirinha que se torna melodia no silêncio da noite. Puxar a coberta para mais perto de si, até o pescoço, esquentando o corpo, virar para o outro lado se ajeitando no macio da cama, sabendo que se têm ainda algumas horas para dormir até a hora de se levantar para o trabalho.

E eis que essa hora chega. Não há agora escapatória. É o momento de levantar, se aprontar e encarar a chuva de frente. Preguiça. Marasmo. Desânimo. Melancólico olhar o céu cinza, as nuvens carregadas, as gotas estourando no chão... e a cama chamando por você.

Por que será que quando o sol não aparece, nós ficamos com tamanha falta de entusiasmo? Deve ser porque os passarinhos não cantam, as crianças não correm na rua, o dia não brilha. Quando chove o dia fica escuro mesmo sendo manhã, parece que o mundo para, há certo tom de tristeza. Mas é puro egoísmo nosso enxergar a chuva assim: como algo sombrio e desestimulante.

A chuva é fundamental para que existam as árvores, os pássaros, nós, qualquer ser vivo. Para regar as culturas e as florestas, encher os rios e os lagos, fazer brotar as nascentes de água que nós usamos. Encher também as barragens para a produção da energia elétrica sem a qual já não sabemos viver. A chuva lava o ar, fazendo assentar as poeiras e outras impurezas que nele existem. A chuva lava a alma. Propicia o arco-íris.

Chuva é confortante e é ótimo para dormir! Também é ótimo para se ler um bom livro, já que quando se está chovendo as opções de lazer ficam mais escassas.

Correr na chuva, nadar na chuva, voltar da escola junto com os amigos, a passos bem curtos, só para sentir os pingos de chuva a molhar a cabeça. Contrariando a vontade dos pais, tempo de chuva é tempo bom para as crianças brincarem nas poças d’água e voltarem para a casa com as roupas encharcadas, os tênis enlameados, o espírito repleto de aventuras e a memória cheia de histórias para contar.

Chuva tem barulhinho bom, tem cheiro bom, tem comida boa. Ninguém nunca ouviu falar em bolinho de sol, mas bolinho de chuva todo mundo conhece. Chuva tem cara de conforto, de noite bem dormida, de pijama cheiroso, de cama gostosa. Tem jeito de filme com pipoca. E é um sossego para a maioria das famílias, pois em noite de chuva todo mundo fica em casa, e assim o sono dos pais está garantido pela chuva que lava o mundo.

Deixa a chuva cair. Deixa a chuva recriar a vida, te mostrar outras opções de lazer, limpar. Como já cantou Guilherme Arantes, “deixa chover, deixa a chuva molhar; dentro do peito tem um fogo ardendo que nunca vai se apagar”. O que importa é manter a alegria de viver, independente se é dia ou noite, se tem sol ou chuva, se é inverno ou verão, se está escuro ou se tem claridade. Afinal, a bonança sempre vem depois da tempestade!


8 de outubro de 2009

Diga X!


A palavra fotografia vem do grego φως [luz], e γραφις [grafis], e significa "desenhar com luz".
Fotografar é congelar o momento presente para o futuro.
É registrar emoções vividas para as gerações futuras.
Mas se repararmos bem as fotografias de qualquer pessoa, podemos afirmar que ela foi a mais feliz, a mais realizada, a que teve a vida mais fantástica de todas. Os momentos registrados foram aqueles responsáveis pelo melhor sorriso, evidenciando a mais pura alegria, e nos dando a entender que a vida da pessoa foi um infinito de alegrias, conquistas e realizações.

É essa a sensação porque ninguém tira fotos dos momentos ruins. Daqueles em que se está triste. Daqueles onde nada nos ocorre de bom ou quando parece que estamos em um beco sem saída. As fotos mais comuns são habitualmente celebrações em grupo. A família no Natal, as férias de verão, a viagem com o amor. Ninguém quer registrar para sempre a sua cara de decepção quando se levou um bolo, ou quando seu time perdeu o campeonato, ou as dez horas que esteve à espera para ser atendido no centro de saúde. Também não há de se querer emoldurar os detestáveis extratos do banco naqueles meses difíceis, ou o abraço amargo recebido em um funeral. As imagens que ficam são as das ocasiões especiais, das coisas boas, as fantásticas recordações.

E você pode reparar como os seus momentos KODAK são tão parecidos com os das outras pessoas. Todos celebrando as mesmas ocasiões. Pode olhar as suas fotos no Orkut e comparar com as fotos postadas nos álbuns dos seus amigos. De original ninguém tem nada. Há muito se diz que nada se inventa e nada se cria; tudo se copia. Mas não precisamos nos sentir mentirosos, afinal, aqueles momentos são fatos, existiram, tanto que foram registrados. Mas o que queremos transmitir às pessoas? Qual a imagem que queremos passar de nós mesmos? Eis uma questão a ser refletida. Seria bom começar pelo ponto de que somos aquela pessoa da foto, temos aqueles amigos, estivemos naquele lugar, vivenciamos aquele momento, mas é bom reconhecer que não somos apenas aquilo ali retratado. Escondemos algo mais. Ou omitimos. É certo que por ali não contamos toda a verdade sobre nós. Mas manter as fotos dos grandes momentos é reviver um pouco deles em cada uma que olhamos. E verdade seja dita, isso traz um pouco de paz à nossa alma.

1 de outubro de 2009

Borboletas no Estômago

Imagine uma borboleta batendo as asas bem pertinho do seu rosto, chegando mesmo a tocar em você. Certamente a sensação será a de um vento suave e algo como a lhe fazer cócegas. Algo macio, delicado, leve e capaz de lhe provocar um “desconforto gostoso”.

Sensação que incomoda mas causa prazer, desorienta mas te coloca um sorriso no rosto. É isso que sentimos quando dizemos que estamos com borboletas nos estômago: inquietação, ansiedade, nervoso miudinho, euforia, prazer, satisfação, alegria, leve sorriso nos lábios, olhar contemplativo, friozinho na barriga. São as asas batendo por dentro, se esvoaçando, de borboletas indo e vindo dentro da alma. Fazem a fome desaparecer, nos deixam incapazes de engolir o que quer que seja. Talvez seja porque as borboletas já tenham ocupado todo o espaço.
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Borboletas no estômago... são mãos que gelam sem estar frio, coração que pulsa mas bate descompassado, sorrisos que aparecem sem dar aviso prévio.
E essas borboletas são muito danadas! Não se contentam em ficar apenas no estômago, nos causando dores de barriga e risadas sem fundamento. Elas sobem pela espinha, arrepiam nossos pelos, e se espalham sem pedir licença pelo corpo. Pior de tudo, comem nossas línguas e roubam nossas falas, e lá ficamos nós, mudos, perante a ação destes insetos libertários.
E não acaba aí não! Fazem nos sentir leves, quase flutuantes, sem sentir os pés no chão – acredito que seja por causa das asas!

Quer sensação mais maravilhosa do que borboletas no estômago?? Creio que não há... Aliás, elas dão colorido à vida, por isso é que vivemos, constantemente, em busca de mais e mais borboletas... No final das contas, são elas que fazem a vida seguir e a humanidade caminhar!

23 de setembro de 2009

Banheiro e outros lugares não tão afins

Tenho uma amiga que me contou que ela já chegou a um veredito, sobre um problema na vida dela, em plena escadaria da Praça da Assembléia.

Um colega de trabalho, parecidamente, me disse que tomou importante decisão após refletir bastante, estando nas escadas da Igreja São José.

Um amigo confidenciou que passou horas pensando na vida, refletindo sobre que rumo dar à sua existência, olhando o pôr do sol da Praça do Papa e tendo a cidade avermelhada aos seus pés.

Pensar na vida, tomar decisões, refletir... Atitudes que demandam sossego, espaço apropriado, tranqüilidade, solidão. Não há lugar pré determinado para tal. Cada pessoa faz o seu lugar, de acordo com a sua necessidade, possibilidade, ou personalidade. Pode ser o seu quarto, um lugar específico da cidade, uma igreja, uma cachoeira, ou até o seu banheiro.

Quer lugar melhor para refletir e pensar na vida do que o banheiro?
Para mim ele é perfeito para isso! É nele que eu definitivamente penso na vida. É só entrar lá e é batata! Os pensamentos, problemas do serviço, conversas que preciso ter, lembranças, momentos imaginários, ensaios de como falar aquele assunto delicado com aquela pessoa especial. Sim, eu falo sozinha, e muito, quando estou no banheiro. Acontece naturalmente. Eu não paro para pensar em fazer isso. Quando percebo, já perdi no mínimo uns 10 minutos só pensando na vida. Sempre me pego voando longe quando me dou conta de que o que tinha que ser feito ali dentro já tinha se finalizado... Não é à toa que, diferentemente da maioria, eu nunca consigo prender a atenção em leituras dentro do banheiro.

Deparei-me com um texto de um blog que costumo ler que tem tudo a ver comigo. Sem tirar nem por, é daquele jeitinho que eu me comporto dentro do banheiro. Claro que esses devaneios só ocorrem no banheiro da minha casa, não é? Ou no máximo da casa de gente muito íntima, e, às vezes, do meu trabalho, onde posso dizer que praticamente o banheiro é só para mim, já que apenas três mulheres o utilizam. Ou seja, havendo certo sossego e tempo hábil, lá estou eu a refletir dentro do banheiro.

Voltando ao texto que comentei, segue-o reproduzido abaixo. Autoria de Tatiana Lazzarotto.

“Algumas das melhores decisões da minha vida foram tomadas no banho. Parece uma coisa muito estranha para se dizer, mas é só com a água caindo sobre a minha cabeça que ela esfria. Não literalmente, porque eu só tomo banho morno. E é no processo de limpeza do corpo que eu clareio a mente. E vejo tudo mais clara+mente. Muita gente canta, mas no chuveiro eu preciso falar. Converso, tagarelo, falo sozinha até dizer chega. Desabafo, conto meus problemas ao box e à saboneteira, e assim espanto os meus fantasmas diários. Imagino soluções, ensaio contar histórias. (Na adolescência eram até tentativas de declaração de amor. Nunca concretizadas). Eu não sei qual é a mágica do banho, mas sinto que minhas melhores idéias nasceram ali. De inspirações a divagações e, mais recentemente, resoluções para a vida toda. Foi depois de um banho quente e demorado que eu decidi fazer vestibular para Letras, um dia antes do fim das inscrições. Depois de alguns banhos que tomei, que tomei (repetição proposital) a decisão de colocar um ponto final nos relacionamentos, e pingos nos “is” no que me incomodava. Depois de um banho eu decidi fazer aulas de italiano, e estou precisando de mais umas cinco chuveiradas de coragem para conseguir retomá-las. Quem dera se na vida tudo se resolvesse com água e espuma.
- Você aceita o emprego?
- Quer casar comigo?
- Podemos começar a plástica?
Espera só um pouquinho. Vou ali tomar um banho e já te digo."

28 de agosto de 2009

Eu Acredito em Amélia!

Na década de 60, um bando de mulheres loucas resolveu queimar seus sutiãs em praça pública para expressar a necessidade de mudança no papel da mulher na sociedade. Iniciaram o período em que prevaleceria a imagem da mulher masculinizada, necessária para a entrada no mercado de trabalho.

Mas... vem cá! Você, leitora, pediu isso para elas? Eu não pedi! Não autorizei que falassem por mim! Quem foi que disse para aquelas revoltadas que a gente queria trabalhar o dia inteiro nas empresas, não ter tempo para cuidar pessoalmente da casa, dos filhos, preparar o jantar do marido, nos permitir momentos de embelezamento... A gente tinha todo o tempo do mundo, para tudo, e me aparecem algumas dezenas de 'sem o que fazer' e jogam tudo pelo ralo!
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Será que não daria para a gente ter uma profissão, mas ao mesmo tempo poder ser uma mulher bem mulherzinha, do tipo que pede ao marido para abrir a tampa do vidro de palmito, ler o manual da máquina de filmar, trocar a lâmpada queimada, instalar as luzinhas de Natal na varanda, levar o carro no mecânico?? Ah... confesso que tenho uma invejinha branca (isso existe?) das minhas avós! Era tudo tão bom no tempo delas! Elas passavam o dia a bordar, a trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos, temperos e remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos maridos, decorando a casa, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando crianças, frequentando saraus. A vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária.

Em muitos dos meus dias, quando o relógio desperta, juro que eu queria poder levantar, mas para ficar em casa, cozinhar, ouvir música, cantarolar. Se tivesse filhos, gastar a manhã brincando com eles. Se tivesse cachorro, passear pelas redondezas. Tudo, menos sair da cama, engatar uma primeira e colocar o cérebro para funcionar dentro de uma empresa repleta de pepinos, colegas invejosos e chefe mal humorado! De que adiantou tanta conquista, se a melhor de todas, o companheiro, está cada vez mais difícil? A revolução feminina pode ter nos trazido algumas recompensas, mas provocou nos homens uma baita confusão quanto ao papel que eles desempenham na sociedade. Muitos deles fogem de nós como o diabo foge da cruz! Acredito que, bem lá no fundo, eles simplesmente queiram alguém para abrir a porta do carro, dar a vez no elevador, puxar a cadeira para assentar, mandar flores com cartões cheios de poesia.

Sempre tive a convicção de que o meu lado Amélia é fortíssimo! Desde sempre acreditei na instituição casamento e na possibilidade de ele ser feliz e enriquecedor. Imagino que eu possa dar conta do trabalho e também da vaidade, do marido e das rotinas domésticas. Como para tudo na vida, há que se ter um equilíbrio. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra! Mas um pouquinho a mais para o lado Amélia não faria mal nenhum. A essência da mulher é composta de zelo, sensibilidade e carinho. Às vezes, ser Amélia é necessário para dar o toque feminino na vida e nas relações.

Outro dia li uma matéria sobre A MULHER, O MERCADO DE TRABALHO E OS SEUS RELACIONAMENTOS. Veja o relato de uma das entrevistadas:
* Conversei com um ex e perguntei para ele: “O que eu tenho de errado? Por que eu não consigo levar uma relação adiante?” E ele respondeu: “Se não fosse pela sua independência, você seria perfeita para mim!!” Sabe o que isso quer dizer??????
Amélias estão com tudo!!...

21 de agosto de 2009

Reticências


“Certo dia, um jovem escritor foi até a sua professora lhe mostrar uma crônica para que ela desse a sua opinião.
Entre algumas correções, ela disse ao rapaz:
- Bem, até que está bom. Não é que você tem imaginação? Ou seria pura inspiração? Dessas coisas eu não entendo; a criatividade é um mistério. Mas posse lhe dizer que há o uso demasiado de reticências! Tantas assim não são necessárias!
- Se eu não posso usar tanto assim as reticências, como eu poderia explicar tudo por aqui, sobre o que a senhora pediu para eu escrever? As reticências fazem parte da vida, e delas não podemos fugir... eu, a senhora e a Língua Portuguesa!


(Texto adaptado – Fátima Abreu)


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“Outro dia vi você na rua, e pensei em algumas coisas...”

“Ontem arrumei as minhas fotos antigas nos álbuns e lembrei-me dos meus antigos desejos...”

“Vamos marcar uma saída?” Respondi: “Vamos nos manter em contato...”

“Você me perdoa pelo que eu lhe fiz?” E eu: “hoje eu não consigo, amanhã...”

Reticências! Já pararam para pensar em como esses três pontinhos conseguem nos dizer tanto, ou, conseguem criar inúmeras possibilidades de pensamentos?
Adoro reticências! Talvez até eu as use em excesso. Mas muitas vezes eu tenho tanto para dizer, e sinto que elas podem se expressar por mim.

Com certeza as reticências deixam incompletas as frases, dando a entender, no entanto, o sentido do que não se disse, e, às vezes, muito mais...
Elas indicam um pensamento ou ideia que ficou por terminar, e que transmite, por parte de quem exprime o conteúdo, a omissão de algo que podia ter sido escrito, mas que não foi.

Reticências nos remetem à continuidade... da vida, das pessoas e das coisas. Contidamente, continuamos. Esse pode ser um jeito de continuar, eficiente e cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência... Apenas em lançar no ar as possibilidades, sem se comprometer...



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17 de agosto de 2009

Inspiração

Há mais de um mês que não posto por aqui.
A inspiração fugiu. Nenhum acontecimento, pessoas, sonhos, desejos, nada tem me inspirado idéias e me feito brincar com as palavras.
Com certeza é uma fase; apenas uma fase de mente improdutiva. Espero que passe logo.
Enquanto isso, eu deixo um poema sobre a tal da Inspiração... para explicar a falta dela, tão recorrente nos meus últimos dias...!

Juliana


Há dias que espero

A minha inspiração…

Enquanto chega e não chega,

Estou de caneta na mão!

Acabo por desistir;

Quando quiser, voltará.

Vou guardar o caderno,

Esperar pelo amanhã!

Até que me dá um “clik”...

Lembro-me de algo ou alguém

Começo a escrever

Mal… mas sempre por bem!

E vou formando rimas

Que às veses não são ricas

Mas a escrever aprendo

Que as palavras são mágicas!

E num desencadear de rimas

Mais ou menos ricas,

Sinto que escrevo por prazer

Não para ser poeta!

(Adaptado do poema Inspiração - Autoria: Céci)

"A Felicidade só é real quando é compartilhada."
(Christofer Mccandles)