21 de março de 2010

Senna, 50 anos: 16 de saudades


50 anos de um ídolo inesquecível. O nome dele é igual ao de milhares de brasileiros, mas algo lhe tornou especial: acreditar que derrotas podem se transformar em grandes vitórias em pouco tempo.

Ayrton Senna da Silva, ou melhor, Ayrton Senna do Brasil completaria neste domingo, dia 21 de março, seu quinquagésimo ano de vida e, mais que isto, 16 anos de uma lacuna ainda insubstituível na Fórmula 1 em vários aspectos.

Com respeito ao adversário e muitas vezes na sua razão, Senna preferia deixar o senso crítico de lado e mostrar sua superioridade dentro da pista, levando sua nacionalidade a inúmeras vitórias, voltas rápidas, poles e títulos, que resultavam em emocionantes comemorações.

Desde daquele 1° de maio de 1994 os domingos não voltaram a ser como eram antes, quando o Brasil parava para ver seu ídolo fazer os autódromos tremerem de tanta garra e vontade de vencer. Ousadia, respeito, ética, compromisso e paixão tornaram Senna um espelho para as próximas gerações.

Muitas dúvidas a respeito daquele acidente fatídico em San Marino ainda correm em vão: será que o coeficiente de segurança da barra de direção foi deixado de lado em busca da velocidade? Que horas e onde realmente Senna faleceu? Ou simplesmente, na mais legitima interpretação, Deus chamou Senna para dar exemplo lá em cima?

Ficam as perguntas, mas também as fantásticas respostas do tricampeão para incrementarmos e vencermos os obstáculos – seja qual for a situação. Senna deixa o ensinamento do quanto é importante viver cada dia como se fosse o último. Não esperando sempre a morte, mas sabendo que ela, sem dúvida, chegará.

Por isso, sobre a morte, Senna nunca mudou seu pensamento:

"O dia que chegar, chegou. Pode ser hoje ou daqui a 50 anos. A única coisa certa é que ela vai chegar."


(Luan Campos)

MINHA HOMENAGEM AO ÚNICO ÍDOLO QUE TIVE NA VIDA.
COLECIONEI REPORTAGENS E FOTOS DELE POR MUITO TEMPO...
PARA VÊ-LO CORRENDO EU NÃO ME IMPORTAVA EM LEVANTAR CEDO AOS DOMINGOS, OU DE MADRUGADA PARA VER OS TREINOS E CORRIDAS DO JAPÃO...
ASSISTÍ-LO CORRENDO ERA SEMPRE UMA EMOÇÃO FANTÁSTICA! NUNCA MAIS VIMOS ISSO NA F1, E TÃO CEDO VEREMOS, PORQUE PESSOAS COMO ELE SÃO MEIO SURREAIS, ESPECIAIS, E NÃO APARECEM NO MUNDO TODA HORA...
PARABÉNS PELA PESSOA E PELO PROFISSIONAL QUE VOCÊ FOI, AYRTON!  

21 de janeiro de 2010

Ano Novo



Há quem diga que o 1º de janeiro é só mais um dia depois de outro, como todos são. Há quem não veja especialidade nenhuma no primeiro dia do ano. Há quem não se empolgue com a expectativa do novo, com a crença de dias melhores, com o fato de existirem dias em branco para serem preenchidos.

Não concordo com essa falta de entusiasmo.

Não há outra data em que as pessoas tanto se desdobram para felicitar, desejar sucesso, participar de confraternizações, viajar longas distâncias para estar perto de quem se gosta. Data de boas e generosas mentalizações. Mensagens confortadoras no celular. Notícias de quem está longe. Fogos no céu, retribuindo às estrelas um pouco do brilho que elas nos dão o ano inteiro.

Em nenhum outro tempo se recebe tantos abraços calorosos, tantas declarações de carinho com promessas de “vamos nos ver mais no próximo ano”. A boa vontade se espalha pelo mundo, quando, junto com o Natal, podemos compreender o amor de Deus por nós, e assim, desejarmos um novo ano repleto de propósitos felizes no caminho do bem, do amor, da paz e da fraternidade. Não há outra época em que as pessoas se permitem tanta doação. E tanto pensamento positivo assim, de tanta gente e ao mesmo tempo, só nos pode fazer bem. Por isso eu valorizo muito o primeiro dia do ano, e acredito com toda a fé que ele é diferente de todos os outros dias.

O ano novo é um rito de passagem que lhe diz: “ei, algo novo pode acontecer!”

E cabe a você acreditar e correr atrás desse novo, dos seus sonhos. Acima de tudo, é tempo de desejar amor para as pessoas.

E é isso que eu desejo a você nesse novo ano: amor! Amor para te fortalecer, curar dores, aconchegar, sustentar, enfraquecer medos. Amor como forma de crescimento. Amor para você ser feliz em 2010!


20 de novembro de 2009

Carta para o Papai Noel



Querido Papai Noel,


Há quanto tempo não nos falamos! Muitos anos já se foram desde a última vez em que eu escrevi cartinha para o senhor. Muitas primaveras se passaram desde que eu deixei de ser criança, e que precisava me comportar durante o ano para poder ganhar o presente solicitado. O mundo muito evoluiu, muitas coisas boas aconteceram, e muitas coisas ruins também. E o senhor? Continua entregando presentes com o seu bom e velho trenó, puxado pelas renas?? Ou já comprou um jatinho? Continua recebendo as cartas escritas à mão, ou já tem endereço eletrônico? Nossa, será que o senhor não vai receber essa minha carta???? Depois de mais de duas décadas me pego escrevendo uma carta de próprio punho, e agora nem sei se ela vai chegar ao seu destino...


Não sei se é porque eu cresci, e vejo o mundo diferente, mas sinto que hoje em dia menos crianças acreditam que irão receber os presentes que você entrega. Deve ser porque no mundo de hoje tudo é muito moderno, mas a essência foi se perdendo. Na minha época tudo tinha mais sentido, havia mais ingenuidade, mais simplicidade, mais amor. As crianças daquela época confundiam a realidade com a fantasia, e acreditavam que na noite de Natal receberiam todos os presentes que tinham lhe pedido. E era muito bom ver o nosso desejo ser atendido!


Mas um dia a gente cresce e aprende que nem sempre se recebe tudo que se espera, e que quem muito quer nada ganha.
Independente disso, eu jamais te esqueci e nunca deixei de acreditar no senhor, ou no que a sua figura representa. De uma forma ou de outra, é a ilusão que nos move. Sem ilusões, sem acreditar em algo melhor, algo bom, a gente não tem motivos para caminhar. É como tentar alcançar o horizonte. O senhor já tentou alcançar o horizonte? Se já, percebeu que a gente nunca consegue. Andamos um passo, e o horizonte se afasta um passo de nós. Andamos dez passos, e ele se afasta dez passos também. Depois de certo tempo eu entendi que é para isso que o horizonte serve: para nos fazer caminhar...


As ilusões e a ingenuidade da época de criança nos tornam pessoas melhores, mais certas de que a vida vale à pena. Durante anos da minha vida o senhor me trouxe muita felicidade, e aquela experiência de vivenciar momentos natalinos “ao seu lado” faz hoje com que eu acredite que é imprescindível transmitir valores como esses ao meu sobrinho e às outras crianças. E eu sinto que isso pode fazer de mim, e delas, pessoas mais felizes.


Já passei da idade de pedir bicicleta – lembra, Papai Noel: “não esqueça a minha Caloi!” – vídeo game, computador, bola ou boneca. Fico reparando nos programas de TV e nos filmes, em como tudo sempre acaba com um final feliz. É tudo sempre muito alegre e muito perfeito em seus finais. Então eu fiquei pensando se o senhor poderia me dar um milagre: um final feliz para todos os meus momentos. Eu estaria pedindo muito ou sendo egoísta? Poxa, eu me comportei bem durante o ano inteirinho!!!! Ok, Papai Noel, ok... Eu entendo que seria pedir demais. Então eu peço que o senhor continue a entregar presentes por todo o mundo, às crianças, a quem tem coração de criança e, sobretudo, aos duros de coração! Junto com os presentes, entregue um pouco do espírito de solidariedade, uma pitada de esperança, e entregue principalmente a fé, para que as pessoas vivam plenamente o verdadeiro sentido do Natal, simbolizado pelo menino Jesus, Nossa Senhora e São José, Belém e a estrebaria, a estrela, os anjos, os pastores e os Reis Magos. Entregue, enfim, a consciência do verdadeiro sentido do Natal: celebrar Jesus Cristo, que veio a esse mundo para nos salvar e nos redimir. Claro, para quem acredita, aceita e concorda. De toda forma, entregando todas essas coisas, o senhor vai acabar por me proporcionar o final feliz que pedi algumas linhas aí em cima...


Um beijo nessa sua barba branca, Papai Noel!
Obrigada, e até ano que vem!!


Juliana.

P.S.: Ia te pedir mais uma coisinha... um namorado, mas desisti! Ia te dar muito trabalho, tadinho!!! Deixa que isso eu resolvo sozinha, tá? Só vou pedir uma ajudinha ao outro Papai... o do Céu! Rs...

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19 de novembro de 2009

Semelhança entre máquinas e amor



Acreditei recentemente que uma conspiração tecnológica estava a me assombrar. Pifou tanta coisa de uma só vez, foi tamanho o piti coletivo das minhas máquinas que levei a sério o que disse a 21: a tecnologia é a ruína da sociedade. E arruinados estamos nós, mortais, cada vez mais dependentes dela.


Você sabe que a máquina – qualquer uma delas - há de estragar um dia, mas, inexplicavelmente, você confia dados, relatórios, monografias, nomes e telefones, projetos de vida e textos únicos, escritos em momentos de inspiração da madrugada, àquela memória impalpável que um dia pode simplesmente ter uma pane e acusar: empty. Você sabe, mas mesmo assim compra, grava, usa, porque você é vencido pelas facilidades da vida moderna.


Assim é mesmo com o amor. Você sabe, ah, sabe, que um dia o relacionamento vai estragar e pode não demorar muito para você se encontrar com os olhos vermelhos diante de um bolo de fotos. Mesmo assim, tendo ciência de que o amor terá um fim, que a chama da vela não inflamará eternamente, você se deixa envolver. Quem há de negar a possibilidade de sentir o coração na boca com uma tímida cruzada de olhares? De ser surpreendido na cozinha, sendo puxado para dançar um tango, no meio das panelas no fogo? De ouvir eu te amo numa tarde qualquer de mormaço?


Um dia o amor, como disse Paulo Mendes Campos, acaba. É típico do amor acabar. Mas você insiste. Pela boa pessoa que o outro é, e que você é, você resolve dar mais uma chance. Tem conserto. Precisa apenas de uma formatação. Passaremos por cima.


Mas não. Depois que uma máquina quebra, ela jamais há de ser a mesma. Seja pela técnica que não dá conta (as máquinas são imprevisíveis e geniosas), seja pelo medo de quebrar de novo. Depois que volta do conserto você fica com medo de usar, de ligar, vai que dá pau de novo? Dá pra confiar? E você se vê com o aparelho lá, encostado num canto. Uma relação apática como a de um casal assistindo à televisão depois de um dia de trabalho árduo. Foi-se os tempos em que as mães exibiam os eletrodomésticos presentes de casamento. Hoje tudo é descartável.


Nas máquinas ou no amor, não confie na garantia. Muitas vezes não há argumento. Não há nada que podemos fazer, meu senhor. A escolha foi sua, você sabia, todas podem estragar. Confiar é estar sujeito a tudo. Às intempéries climáticas, ao desgaste do tempo. As máquinas, se pudessem, pediriam garantia por terem sido trocadas por uma outra aparelhagem mais moderna. Pediriam para serem devolvidas às fábricas, que lhe tirassem todas as peças. Melhor isso que observar o dono se divertindo com a outra, a recém-chegada. Mas não há o que podemos fazer, prezado. Assim é mesmo com o amor. Apaixonar-se é estar sujeito à possível ação do tempo, ou à presença de um outro.


Mas por que ser tão pessimista? A tecnologia também facilita os relacionamentos! As possibilidades de contato são ampliadas, as fronteiras não existem. E o reverso da medalha é que quanto mais envolvido, mais dependente você estará quando a máquina quebra. Mais angustiante se torna a espera de não saber o que acontece com o mundo e com aqueles entrelaçados nas suas redes. E, como são várias as possibilidades de se manter contato, várias são as possibilidades de ser ignorado. Ao final, você se sente como el coronel de Marquez, que no tiene quién le escriba.


Há pessoas que resistem à dependência das máquinas. À rapidez, à fluidez, à superficialidade das tecnologias. E há pessoas que resistem ao amor. Ao receio do começo e à consequente melancolia do inevitável fim. Estranha civilização essa de máquinas descartáveis e amores apressados. Melhor seria um tempo de amor sem pressa, que aguarda em silêncio. Sem se afobar.
 
(Tatiana Lazzarotto)

22 de outubro de 2009

Dia de Chuva



Acordar de madrugada e ouvir a chuva caindo lá fora. Que sensação mais deliciosa aquele barulhinho dos pingos se encontrando com o asfalto, com as folhas das árvores, e até daquela goteirinha que se torna melodia no silêncio da noite. Puxar a coberta para mais perto de si, até o pescoço, esquentando o corpo, virar para o outro lado se ajeitando no macio da cama, sabendo que se têm ainda algumas horas para dormir até a hora de se levantar para o trabalho.

E eis que essa hora chega. Não há agora escapatória. É o momento de levantar, se aprontar e encarar a chuva de frente. Preguiça. Marasmo. Desânimo. Melancólico olhar o céu cinza, as nuvens carregadas, as gotas estourando no chão... e a cama chamando por você.

Por que será que quando o sol não aparece, nós ficamos com tamanha falta de entusiasmo? Deve ser porque os passarinhos não cantam, as crianças não correm na rua, o dia não brilha. Quando chove o dia fica escuro mesmo sendo manhã, parece que o mundo para, há certo tom de tristeza. Mas é puro egoísmo nosso enxergar a chuva assim: como algo sombrio e desestimulante.

A chuva é fundamental para que existam as árvores, os pássaros, nós, qualquer ser vivo. Para regar as culturas e as florestas, encher os rios e os lagos, fazer brotar as nascentes de água que nós usamos. Encher também as barragens para a produção da energia elétrica sem a qual já não sabemos viver. A chuva lava o ar, fazendo assentar as poeiras e outras impurezas que nele existem. A chuva lava a alma. Propicia o arco-íris.

Chuva é confortante e é ótimo para dormir! Também é ótimo para se ler um bom livro, já que quando se está chovendo as opções de lazer ficam mais escassas.

Correr na chuva, nadar na chuva, voltar da escola junto com os amigos, a passos bem curtos, só para sentir os pingos de chuva a molhar a cabeça. Contrariando a vontade dos pais, tempo de chuva é tempo bom para as crianças brincarem nas poças d’água e voltarem para a casa com as roupas encharcadas, os tênis enlameados, o espírito repleto de aventuras e a memória cheia de histórias para contar.

Chuva tem barulhinho bom, tem cheiro bom, tem comida boa. Ninguém nunca ouviu falar em bolinho de sol, mas bolinho de chuva todo mundo conhece. Chuva tem cara de conforto, de noite bem dormida, de pijama cheiroso, de cama gostosa. Tem jeito de filme com pipoca. E é um sossego para a maioria das famílias, pois em noite de chuva todo mundo fica em casa, e assim o sono dos pais está garantido pela chuva que lava o mundo.

Deixa a chuva cair. Deixa a chuva recriar a vida, te mostrar outras opções de lazer, limpar. Como já cantou Guilherme Arantes, “deixa chover, deixa a chuva molhar; dentro do peito tem um fogo ardendo que nunca vai se apagar”. O que importa é manter a alegria de viver, independente se é dia ou noite, se tem sol ou chuva, se é inverno ou verão, se está escuro ou se tem claridade. Afinal, a bonança sempre vem depois da tempestade!


8 de outubro de 2009

Diga X!


A palavra fotografia vem do grego φως [luz], e γραφις [grafis], e significa "desenhar com luz".
Fotografar é congelar o momento presente para o futuro.
É registrar emoções vividas para as gerações futuras.
Mas se repararmos bem as fotografias de qualquer pessoa, podemos afirmar que ela foi a mais feliz, a mais realizada, a que teve a vida mais fantástica de todas. Os momentos registrados foram aqueles responsáveis pelo melhor sorriso, evidenciando a mais pura alegria, e nos dando a entender que a vida da pessoa foi um infinito de alegrias, conquistas e realizações.

É essa a sensação porque ninguém tira fotos dos momentos ruins. Daqueles em que se está triste. Daqueles onde nada nos ocorre de bom ou quando parece que estamos em um beco sem saída. As fotos mais comuns são habitualmente celebrações em grupo. A família no Natal, as férias de verão, a viagem com o amor. Ninguém quer registrar para sempre a sua cara de decepção quando se levou um bolo, ou quando seu time perdeu o campeonato, ou as dez horas que esteve à espera para ser atendido no centro de saúde. Também não há de se querer emoldurar os detestáveis extratos do banco naqueles meses difíceis, ou o abraço amargo recebido em um funeral. As imagens que ficam são as das ocasiões especiais, das coisas boas, as fantásticas recordações.

E você pode reparar como os seus momentos KODAK são tão parecidos com os das outras pessoas. Todos celebrando as mesmas ocasiões. Pode olhar as suas fotos no Orkut e comparar com as fotos postadas nos álbuns dos seus amigos. De original ninguém tem nada. Há muito se diz que nada se inventa e nada se cria; tudo se copia. Mas não precisamos nos sentir mentirosos, afinal, aqueles momentos são fatos, existiram, tanto que foram registrados. Mas o que queremos transmitir às pessoas? Qual a imagem que queremos passar de nós mesmos? Eis uma questão a ser refletida. Seria bom começar pelo ponto de que somos aquela pessoa da foto, temos aqueles amigos, estivemos naquele lugar, vivenciamos aquele momento, mas é bom reconhecer que não somos apenas aquilo ali retratado. Escondemos algo mais. Ou omitimos. É certo que por ali não contamos toda a verdade sobre nós. Mas manter as fotos dos grandes momentos é reviver um pouco deles em cada uma que olhamos. E verdade seja dita, isso traz um pouco de paz à nossa alma.

1 de outubro de 2009

Borboletas no Estômago

Imagine uma borboleta batendo as asas bem pertinho do seu rosto, chegando mesmo a tocar em você. Certamente a sensação será a de um vento suave e algo como a lhe fazer cócegas. Algo macio, delicado, leve e capaz de lhe provocar um “desconforto gostoso”.

Sensação que incomoda mas causa prazer, desorienta mas te coloca um sorriso no rosto. É isso que sentimos quando dizemos que estamos com borboletas nos estômago: inquietação, ansiedade, nervoso miudinho, euforia, prazer, satisfação, alegria, leve sorriso nos lábios, olhar contemplativo, friozinho na barriga. São as asas batendo por dentro, se esvoaçando, de borboletas indo e vindo dentro da alma. Fazem a fome desaparecer, nos deixam incapazes de engolir o que quer que seja. Talvez seja porque as borboletas já tenham ocupado todo o espaço.
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Borboletas no estômago... são mãos que gelam sem estar frio, coração que pulsa mas bate descompassado, sorrisos que aparecem sem dar aviso prévio.
E essas borboletas são muito danadas! Não se contentam em ficar apenas no estômago, nos causando dores de barriga e risadas sem fundamento. Elas sobem pela espinha, arrepiam nossos pelos, e se espalham sem pedir licença pelo corpo. Pior de tudo, comem nossas línguas e roubam nossas falas, e lá ficamos nós, mudos, perante a ação destes insetos libertários.
E não acaba aí não! Fazem nos sentir leves, quase flutuantes, sem sentir os pés no chão – acredito que seja por causa das asas!

Quer sensação mais maravilhosa do que borboletas no estômago?? Creio que não há... Aliás, elas dão colorido à vida, por isso é que vivemos, constantemente, em busca de mais e mais borboletas... No final das contas, são elas que fazem a vida seguir e a humanidade caminhar!

23 de setembro de 2009

Banheiro e outros lugares não tão afins

Tenho uma amiga que me contou que ela já chegou a um veredito, sobre um problema na vida dela, em plena escadaria da Praça da Assembléia.

Um colega de trabalho, parecidamente, me disse que tomou importante decisão após refletir bastante, estando nas escadas da Igreja São José.

Um amigo confidenciou que passou horas pensando na vida, refletindo sobre que rumo dar à sua existência, olhando o pôr do sol da Praça do Papa e tendo a cidade avermelhada aos seus pés.

Pensar na vida, tomar decisões, refletir... Atitudes que demandam sossego, espaço apropriado, tranqüilidade, solidão. Não há lugar pré determinado para tal. Cada pessoa faz o seu lugar, de acordo com a sua necessidade, possibilidade, ou personalidade. Pode ser o seu quarto, um lugar específico da cidade, uma igreja, uma cachoeira, ou até o seu banheiro.

Quer lugar melhor para refletir e pensar na vida do que o banheiro?
Para mim ele é perfeito para isso! É nele que eu definitivamente penso na vida. É só entrar lá e é batata! Os pensamentos, problemas do serviço, conversas que preciso ter, lembranças, momentos imaginários, ensaios de como falar aquele assunto delicado com aquela pessoa especial. Sim, eu falo sozinha, e muito, quando estou no banheiro. Acontece naturalmente. Eu não paro para pensar em fazer isso. Quando percebo, já perdi no mínimo uns 10 minutos só pensando na vida. Sempre me pego voando longe quando me dou conta de que o que tinha que ser feito ali dentro já tinha se finalizado... Não é à toa que, diferentemente da maioria, eu nunca consigo prender a atenção em leituras dentro do banheiro.

Deparei-me com um texto de um blog que costumo ler que tem tudo a ver comigo. Sem tirar nem por, é daquele jeitinho que eu me comporto dentro do banheiro. Claro que esses devaneios só ocorrem no banheiro da minha casa, não é? Ou no máximo da casa de gente muito íntima, e, às vezes, do meu trabalho, onde posso dizer que praticamente o banheiro é só para mim, já que apenas três mulheres o utilizam. Ou seja, havendo certo sossego e tempo hábil, lá estou eu a refletir dentro do banheiro.

Voltando ao texto que comentei, segue-o reproduzido abaixo. Autoria de Tatiana Lazzarotto.

“Algumas das melhores decisões da minha vida foram tomadas no banho. Parece uma coisa muito estranha para se dizer, mas é só com a água caindo sobre a minha cabeça que ela esfria. Não literalmente, porque eu só tomo banho morno. E é no processo de limpeza do corpo que eu clareio a mente. E vejo tudo mais clara+mente. Muita gente canta, mas no chuveiro eu preciso falar. Converso, tagarelo, falo sozinha até dizer chega. Desabafo, conto meus problemas ao box e à saboneteira, e assim espanto os meus fantasmas diários. Imagino soluções, ensaio contar histórias. (Na adolescência eram até tentativas de declaração de amor. Nunca concretizadas). Eu não sei qual é a mágica do banho, mas sinto que minhas melhores idéias nasceram ali. De inspirações a divagações e, mais recentemente, resoluções para a vida toda. Foi depois de um banho quente e demorado que eu decidi fazer vestibular para Letras, um dia antes do fim das inscrições. Depois de alguns banhos que tomei, que tomei (repetição proposital) a decisão de colocar um ponto final nos relacionamentos, e pingos nos “is” no que me incomodava. Depois de um banho eu decidi fazer aulas de italiano, e estou precisando de mais umas cinco chuveiradas de coragem para conseguir retomá-las. Quem dera se na vida tudo se resolvesse com água e espuma.
- Você aceita o emprego?
- Quer casar comigo?
- Podemos começar a plástica?
Espera só um pouquinho. Vou ali tomar um banho e já te digo."

28 de agosto de 2009

Eu Acredito em Amélia!

Na década de 60, um bando de mulheres loucas resolveu queimar seus sutiãs em praça pública para expressar a necessidade de mudança no papel da mulher na sociedade. Iniciaram o período em que prevaleceria a imagem da mulher masculinizada, necessária para a entrada no mercado de trabalho.

Mas... vem cá! Você, leitora, pediu isso para elas? Eu não pedi! Não autorizei que falassem por mim! Quem foi que disse para aquelas revoltadas que a gente queria trabalhar o dia inteiro nas empresas, não ter tempo para cuidar pessoalmente da casa, dos filhos, preparar o jantar do marido, nos permitir momentos de embelezamento... A gente tinha todo o tempo do mundo, para tudo, e me aparecem algumas dezenas de 'sem o que fazer' e jogam tudo pelo ralo!
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Será que não daria para a gente ter uma profissão, mas ao mesmo tempo poder ser uma mulher bem mulherzinha, do tipo que pede ao marido para abrir a tampa do vidro de palmito, ler o manual da máquina de filmar, trocar a lâmpada queimada, instalar as luzinhas de Natal na varanda, levar o carro no mecânico?? Ah... confesso que tenho uma invejinha branca (isso existe?) das minhas avós! Era tudo tão bom no tempo delas! Elas passavam o dia a bordar, a trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos, temperos e remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos maridos, decorando a casa, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando crianças, frequentando saraus. A vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária.

Em muitos dos meus dias, quando o relógio desperta, juro que eu queria poder levantar, mas para ficar em casa, cozinhar, ouvir música, cantarolar. Se tivesse filhos, gastar a manhã brincando com eles. Se tivesse cachorro, passear pelas redondezas. Tudo, menos sair da cama, engatar uma primeira e colocar o cérebro para funcionar dentro de uma empresa repleta de pepinos, colegas invejosos e chefe mal humorado! De que adiantou tanta conquista, se a melhor de todas, o companheiro, está cada vez mais difícil? A revolução feminina pode ter nos trazido algumas recompensas, mas provocou nos homens uma baita confusão quanto ao papel que eles desempenham na sociedade. Muitos deles fogem de nós como o diabo foge da cruz! Acredito que, bem lá no fundo, eles simplesmente queiram alguém para abrir a porta do carro, dar a vez no elevador, puxar a cadeira para assentar, mandar flores com cartões cheios de poesia.

Sempre tive a convicção de que o meu lado Amélia é fortíssimo! Desde sempre acreditei na instituição casamento e na possibilidade de ele ser feliz e enriquecedor. Imagino que eu possa dar conta do trabalho e também da vaidade, do marido e das rotinas domésticas. Como para tudo na vida, há que se ter um equilíbrio. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra! Mas um pouquinho a mais para o lado Amélia não faria mal nenhum. A essência da mulher é composta de zelo, sensibilidade e carinho. Às vezes, ser Amélia é necessário para dar o toque feminino na vida e nas relações.

Outro dia li uma matéria sobre A MULHER, O MERCADO DE TRABALHO E OS SEUS RELACIONAMENTOS. Veja o relato de uma das entrevistadas:
* Conversei com um ex e perguntei para ele: “O que eu tenho de errado? Por que eu não consigo levar uma relação adiante?” E ele respondeu: “Se não fosse pela sua independência, você seria perfeita para mim!!” Sabe o que isso quer dizer??????
Amélias estão com tudo!!...

21 de agosto de 2009

Reticências


“Certo dia, um jovem escritor foi até a sua professora lhe mostrar uma crônica para que ela desse a sua opinião.
Entre algumas correções, ela disse ao rapaz:
- Bem, até que está bom. Não é que você tem imaginação? Ou seria pura inspiração? Dessas coisas eu não entendo; a criatividade é um mistério. Mas posse lhe dizer que há o uso demasiado de reticências! Tantas assim não são necessárias!
- Se eu não posso usar tanto assim as reticências, como eu poderia explicar tudo por aqui, sobre o que a senhora pediu para eu escrever? As reticências fazem parte da vida, e delas não podemos fugir... eu, a senhora e a Língua Portuguesa!


(Texto adaptado – Fátima Abreu)


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“Outro dia vi você na rua, e pensei em algumas coisas...”

“Ontem arrumei as minhas fotos antigas nos álbuns e lembrei-me dos meus antigos desejos...”

“Vamos marcar uma saída?” Respondi: “Vamos nos manter em contato...”

“Você me perdoa pelo que eu lhe fiz?” E eu: “hoje eu não consigo, amanhã...”

Reticências! Já pararam para pensar em como esses três pontinhos conseguem nos dizer tanto, ou, conseguem criar inúmeras possibilidades de pensamentos?
Adoro reticências! Talvez até eu as use em excesso. Mas muitas vezes eu tenho tanto para dizer, e sinto que elas podem se expressar por mim.

Com certeza as reticências deixam incompletas as frases, dando a entender, no entanto, o sentido do que não se disse, e, às vezes, muito mais...
Elas indicam um pensamento ou ideia que ficou por terminar, e que transmite, por parte de quem exprime o conteúdo, a omissão de algo que podia ter sido escrito, mas que não foi.

Reticências nos remetem à continuidade... da vida, das pessoas e das coisas. Contidamente, continuamos. Esse pode ser um jeito de continuar, eficiente e cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência... Apenas em lançar no ar as possibilidades, sem se comprometer...



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17 de agosto de 2009

Inspiração

Há mais de um mês que não posto por aqui.
A inspiração fugiu. Nenhum acontecimento, pessoas, sonhos, desejos, nada tem me inspirado idéias e me feito brincar com as palavras.
Com certeza é uma fase; apenas uma fase de mente improdutiva. Espero que passe logo.
Enquanto isso, eu deixo um poema sobre a tal da Inspiração... para explicar a falta dela, tão recorrente nos meus últimos dias...!

Juliana


Há dias que espero

A minha inspiração…

Enquanto chega e não chega,

Estou de caneta na mão!

Acabo por desistir;

Quando quiser, voltará.

Vou guardar o caderno,

Esperar pelo amanhã!

Até que me dá um “clik”...

Lembro-me de algo ou alguém

Começo a escrever

Mal… mas sempre por bem!

E vou formando rimas

Que às veses não são ricas

Mas a escrever aprendo

Que as palavras são mágicas!

E num desencadear de rimas

Mais ou menos ricas,

Sinto que escrevo por prazer

Não para ser poeta!

(Adaptado do poema Inspiração - Autoria: Céci)

30 de junho de 2009

michael jackSÓn

Michael Jackson - You are not alone

Existem pessoas que caminham sozinhas, em determinado momento da vida;
Existem pessoas que são sempre sozinhas.
Estar só é até necessário, às vezes.
Mas ser só deve ser como não ver o sol banhando o mar em um dia de férias na praia,
como flores não nascerem na primavera,
como não ganhar beijo no dia dos namorados,
como plantar a semente e não vê-la germinar,
como esperar agrados e receber desprezo,
como sonhar com algo e não saber como alcançá-lo,
como vislumbrar a felicidade mas não conseguir encontrá-la.

Michael Jackson teve tudo para ser feliz, e não foi.
Quis ser outro, ter outro rosto, passou a clarear a pele, alisar os cabelos, afinar o nariz e assumir seu papel de metamorfose ambulante. Parecia querer dizer que ele podia ser o que quisesse. Provar algo para alguém? Para o pai, quem sabe, que sempre exigiu muito do menino Michael, sempre bateu, e apesar do sucesso e talento do filho, sempre o desprezou, dizendo que ele era feio. Palavras, essas, da irmã Latoya Jackson.

Michael Jackson, segundo psicólogos americanos, queria parecer diferente para voltar à infância infeliz e resgatar a criança que começou a morrer quando teve de integrar o conjunto musical de seus irmãos, Jackson Five. Essa regressão explicaria, em parte, sua suposta pedofilia e as inúmeras operações plásticas a que se submeteu para ser eternamente uma simulação de Peter Pan, o garoto que se recusou a crescer e acabou sozinho, vendo todos virarem adultos em sua Terra do Nunca. Ele não poderia ser um Peter Pan negro numa sociedade de Capitães Ganchos brancos. Suas biografias dizem que o pai era um tirano, que batia nas crianças e abusava dos filhos, obrigados a seguir a rígida conduta das Testemunhas de Jeová. Com uma infância dessas, não é difícil entender as razões que levaram Jackson a revelar a Oprah Winfrey sua vontade de vomitar todas as vezes que o via. Menos ainda que desejasse apagar os traços dessa infância indesejável e construir uma outra biografia, um outro ser, uma nova vida. Mesmo que fosse fictícia como a de Peter Pan.

Michael morreu em pedaços, irreconhecível até para ele mesmo. Esse freak que trocou o rosto de um menino negro pela máscara de um andrógino sem cor definida, sofria, segundo um analista, da nostalgia de algo desconhecido que não teve a oportunidade de experimentar na infância. Michael fez fama, fortuna, mudou a história da música, mas deixou a impressão de que, sempre foi, e morreu sozinho.

Fonte: Estadão

18 de junho de 2009

Alecrim Dourado

Ontem eu cheguei em casa e meu sobrinho, que tem 4 anos e meio, veio cantar para mim a música que tinha aprendido na escola:

Alecrim, alecrim dourado
que nasceu no campo
sem ser semeado.
“Alecrim, alecrim dourado
que nasceu no campo
sem ser semeado.
Foi meu amor,
que me disse assim,
que a flor do campo
é o alecrim
.”

Muito fofo!!!
Aí eu cantei com ele e ele perguntou: “como é que você sabe essa música, Juju?” E eu expliquei que tinha aprendido na escola também (há pelo menos 3 décadas atrás!). E elogiei-o, dizendo que ele estava cantando lindo demais.
Ele cantou e foi assistir desenho na TV.

Depois de um tempo eu fiquei achando meio estranho ele vir com a novidade da música porque eu tive a sensação de que ele já sabia cantar aquela melodia há algum tempo. Pelas minhas lembranças, o fato de ele cantar a música ontem, como que me mostrando algo novo, não fazia sentido.

Hoje pela manhã eu me lembrei dele cantando, e comecei a cantarolar a música, ficando com um sorriso no rosto e a imagem dele na mente.
De repente eu lembrei o porquê da minha sensação de que o meu sobrinho já havia cantado aquela música para mim. Não é que tinha sido ele. Tinha sido o meu irmão, por volta dos seus 5 ou 6 anos de idade (hoje ele tem 28), na sua época de jardim da infância. Incrível como aquela cena do meu sobrinho me parecia tão familiar, parecia que eu a tinha vivenciado há pouco tempo, e só então eu me dei conta de que cerca de 23 anos separavam aqueles dois momentos tão similares, mas que me pareceram ser o mesmo. Fiquei impressionada com aquele fato! Não parecia de jeito nenhum que tantos anos haviam se passado. Parei meu pensamento, fixei o olhar para o nada, daquele jeito que ficamos quando nem piscamos, e pude buscar nas cenas guardadas na lembrança aquele momento em que eu devia ter uns 13 anos, e que ouvi meu irmãozinho lindo cantando Alecrim Dourado, do jeitinho que o meu sobrinho tinha feito! E novamente eu me vi sorrindo...

Quando meu irmão cantou Alecrim Dourado pela primeira vez para minha irmã, minha avó, minha mãe e para mim, todas nós cantamos junto com ele, pois também tínhamos aprendido a música ainda na nossa infância. Musiquinha antiga, não é? E foi assim agora com meu sobrinho. E com certeza será da mesma maneira com meus filhos, ou os filhos do meu sobrinho. A vida, às vezes, é mesmo uma sucessão de acontecimentos repetitivos. Deve ser para fazer a gente assimilar bem as coisas, os significados, fixar os aprendizados e compreender melhor os valores, o que verdadeiramente importa!

No vídeo abaixo um menininho canta Alecrim Dourado. No Youtube há dezenas de vídeos do mesmo tipo, o que nos leva a concluir que a música é realmente bastante ensinada nas escolinhas!...

12 de junho de 2009

Figurinha Repetida


O primeiro chama no MSN,
conta novidades,
diz que vai pra longe,
e que sente saudade.
Me chama de “amor”,
e me pergunta se lá na outra cidade
Visitá-lo eu vou...

O segundo chama no MSN,
conta novidades,
diz que quer me ver
quando estiver na cidade.
Pois em seus pensamentos,
diante das expectativas frustradas,
O desejo ainda arde...

O terceiro envia e-mails,
há alguns meses já,
também expressando saudade
e vontade de perto estar.
Convida para um passeio
que dessa vez acontece,
e que até me enternece...


E tudo isso no mesmo dia! A vida é realmente repleta de encontros, desencontros e reencontros... Sempre nos surpreende.
Mas será?... Dizem que figurinha repetida não preenche álbum!
.
.
Aproveitando a data: Feliz Dia dos Namorados!... para quem tem um...

10 de junho de 2009

Hay que endurecerse, pero sim perder la ternura!

Impressionante como a gente recebe tantos e-mails e lemos tantas reportagens sobre como manter a forma, a saúde, o equilíbrio do corpo.
Mas convenhamos que às vezes o pessoal exagera. Se eu for levar tudo que leio sobre esse assunto ao pé da letra, posso deitar no caixão e esperar a morte, porque tudo que se come hoje em dia faz mal, e se você não faz peeling de cristal, massagem, tratamento ortomolecular, academia ou botox, pode desistir: você está fadado a ter uma terceira idade repleta de rugas, dores nas juntas e desânimo. Será?

Acho engraçado quando vejo o excesso de cultura ao físico e até à saúde. Tudo em exagero vira pecado. Já li que leite demais faz mal, e que até água demais não faz bem para o organismo. Café não pode, prefira o chá. Mas com cautela porque chá também tem cafeína, ainda que em menor proporção. Tome então sucos, mas com adoçantes. Adoçantes à base de stevia ou aspartame? Dizem os entendidos que o aspartame é de longe a susbstância mais danosa em comércio que vem adicionada em muitos alimentos, uma vêz que é obtido artificialmente em laboratório. Já a stevia é obtida de um pequeno arbusto, de origem paraguaia (no bom sentido), que tem extraordinária capacidade adoçante. Qual a verdade? Segundo médicos da medicina ortomolecular nenhum adoçante é recomendado. Na dúvida, prefira o açúcar. Mas o cristal; o refinado é um veneno para a sua saúde! Sua última escolha? Use açúcar mascavo! Pronto! Você conseguiu adoçar seu suco sem causar maiores danos ao seu “corpitcho”. Assim você espera, não é mesmo?

Sabe-se também que carne vermelha não faz bem para a saúde. Nem frango, a não ser que seja frango caipira. Esses frangos que você vê por aí são como pintos crescidos à base de fermento. Não adicionam nada de bom para seu organismo. Um consenso: fique com os peixes. E ensine ao seu estômago que as outras carnes não fazem bem a você. Ele acaba aprendendo.

Antigamente as pessoas não tinham nenhuma dessas descobertas modernas da medicina e da tecnologia. Envelhecia-se muito bem comendo tudo que se tivesse vontade, curtindo cada ruga que pudesse aparecer com a idade. O importante era ser feliz, realizado, ter família e amigos por perto! É claro que não estou aqui dizendo para não cuidarmos da saúde. Mas é preciso que não procuremos problema! Envelhecer é inevitável. Então, envelheçamos felizes, nos cuidando, mas sem neuras. Há que nos cuidarmos, mas sem perder o juízo!

Recebi um e-mail bem bacana – o qual reproduzo abaixo e cuja autoria desconheço - que explora um pouco esse lado da preocupação em excesso com a saúde e a beleza. Espero que curtam a leitura!


Minha ida ao dermatologista


"Visita de rotina aos médicos. Todo ano a mesma peregrinação. Mastologista, ginecologista, oftalmologista, dentista... Mas um dia, resolvi incluir um ISTA novo na minha odisséia...um DERMATOLOGISTA. Já era hora de procurar uns creminhos mágicos para tentar retardar ao máximo as marcas da inevitável entrada nos ENTA. Para ser sincera e nem um pouco modesta, entrei gloriosa nesta fase. Com direito a uma festa memorável, que durou até as 10 horas da manhã do dia seguinte. Festa com música ao vivo, Los Años Dorados, na melhor boate da cidade, todos os amigos, fotografias... tudo maravilhoso. Na verdade, sentia-me espetacular. Tudo certo. Ninguém podia cantar para mim a ridí­cula frase da Calcanhoto: 'nada ficou no lugar...'

Mas não sei o que deu no espelho lá de casa, que resolveu, do dia para a noite, tomar ares de conto de fadas. Aliás, de bruxas. E mostrar coisinhas que nunca haviam aparecido. Ou eu não havia notado? Pontinhos azuis nos tornozelos, pintinhas negras no colo, nos braços, bolinhas vermelhas na bunda... olheiras mais profundas. Como assim??? Assim... sem avisar nem nada? De repente, o idiota resolveu mostrar e pronto. Ah, não! Isso não vai ficar assim. ISTA novo na lista do convênio. O melhor. Queria o melhor especialista de todos os ISTAS! Achei. Marquei. E fui tão nervosa quanto para um encontro 'bem intencionado' daqueles em que a gente escolhe a roupa íntima com cuidado, que é para não fazer feio, nem parecer que foi uma escolha proposital... Sabe como é, né?

Pois sim. O sujeito era um dermatologista famoso. Via e futucava a pele de toda a nata feminina e masculina da cidade. Assim, me armei de humildade. Disposta a mostrar cada defeitinho novo que estava me observando através do maquiavélico e ex-amigo espelho do meu quarto. Depois de fazer uma ficha com meus dados, o 'doutor' me olhou, finalmente nos olhos, e perguntou: 'O que lhe trouxe aqui?' Fiquei vermelha como um tomate. E muda. Ele sorriu e esperou. Quase de olhos fechados, desfiei minhas queixas. Ele observou 'in loco' cada uma delas, com uma luz de 200wtz e uma lupa, e começou o seu diagnóstico.

- As pintinhas são sinais de sol, por todo o sol que você já tomou na vida. Com a idade (tóiin!) elas vão aparecendo, cada vez mais numerosas. Vai precisar de um protetor solar para sair de casa pela manhã, mesmo sem ir à praia. Mesmo para dirigir. Braços, pernas, rosto e pescoço. E praia, evite. Só de 6 às 10 da manhã, sob proteção máxima, guarda sol, óculos e chapéu. Bronzear-se, nunca mais.

- Ahammm... (a turma só chega na praia às 11:00!!!!)

- Os pontinhos azuis são pequenos vasos que não suportam a pressão do corpo sobre os saltos altos. Evite-os! Sapatos só com salto anabela ou baixos de preferência. Compre uma meia elástica, Kendall, para quando tiver que usar os saltos altos.

- Ahammm... (Kendall??? e as minhas preciosas sandalinhas???)

- As bolinhas na bunda são normais, por causa do calor. Para evitá-las use mais saias que calças. Evite o jeans e as calcinhas de lycra. As de algodão puro são as melhores e as mais folgadas.

- Ahammmm... (e pude 'ver' as da minha mãe, enormes, na cintura, de florzinhas cor de rosa... vou chorar!)

- As olheiras são de família. Não há muito o que fazer. Use esse creminho à noite, antes de dormir e procure não dormir tarde. Alimentação leve, com muita fruta e verdura, pouca carne e muito peixe. Nada de tabaco, nem álcool, nem café.

E a histérica aqui­ começou a rir (em pensamento...). Agradeci, peguei suas receitinhas, e saí­ rindo, rindo... me dobrando de tanto rir! No carro comecei a falar sozinha tudo o que deveria ter dito ao doutor e não disse: ' Trabalho muito doutor... muitas noites vou dormir às 2h, escrevendo e lendo. Bebo e fumo. Tomo café. Saio pelas noites de boemia com os amigos e os violões para as serenatas de lua cheia... e que noites!!!! Adoro os saltos, principalmente nas sandálias fininhas. Impossível a meia elástica (argh!!). Calcinhas de algodão? E folgadas??? Adoro as justinhas e rendadas. E não abandono meu jeans nem sob ameaça de morte!!! É meu melhor amigo!!!!Dormir lambuzada? Neste calor? E minhas duchas frias com sabonete Johnson para ficar fresquinha como um bebê, a cada noite? E nada de praia??? O senhor está louco, é???? Endoideceu, foi??? Moro no Rio de Janeiro, com esse mar, esse sol, e tudo mais... e tenho só 40 anos... meia vida inteira pela frente!!! Doutor Fulustreco, na minha idade não vou viver como se tivesse feito trinta anos em um!!! Até um dia desses tinha 39... e agora em vez de 40 estou fazendo 70??? Inclua aí­ na sua lista de remédios para as de 40 a 70, a MEIA LUZ... Acho que é só disso que eu preciso. Um bom abajour com uma luz de15wts... E um namorado que use óculos... É isso... só isso!!! Entendeu????'

Parei no sinal e olhei de lado... e um garoto de uns 25 anos piscou o olho para mim. Ah... e ele nem usava óculos!

Nunca fiz o que me recomendou o fulustreco ISTA... Minhas olheiras são parte de meu charme. E valem o que faço pelas noites a dentro... ah, se valem! As bolinhas da bunda desapareceram com uma solução caseira de vitamina A, que quase todas as mulheres usavam e eu não sabia, até que contei minha historinha do 'bruxo mau'. Os sinaizinhos estão aqui, sem grandes alardes, e até que já os acho bonitinhos. O espelho é muito menor... o outro, eu dei para a minha sobrinha. E meu namorado diz que estou cada dia mais linda! Principalmente quando estou de saltos e rendas, disposta a encarar uma noite de vinhos e música. É claro que ele usa óculos! Mas quando quero ficar fatal, tiro os seus óculos... e acendo o abajour!"


Não valorize tanto o que dizem os ISTAS; só na medida certa! E seja feliz!
"A Felicidade só é real quando é compartilhada."
(Christofer Mccandles)